Revogação da Medida Protetiva - O que é a Medida Protetiva e como ela funciona? - Como revogar a medida protetiva? - Direito dos pais - Direitos - Como excluir uma medida protetiva - Recebi uma Medida Protetiva, e agora? O que eu faço? Dra. Talissa Caldonazo, advogada em Campinas especialista em Direito de Família e Sucessões

Revogação de Medida Protetiva

Medida Protetiva, como é e como funciona?

As medidas protetivas são instrumentos legais fundamentais para garantir a segurança e a integridade física e psicológica de pessoas em situações de violência doméstica ou familiar. Elas são parte do sistema de proteção oferecido pela Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) e podem ser concedidas a vítimas que se encontrem em risco iminente de sofrer qualquer tipo de violência. Porém, em determinados casos, essas medidas podem ser revogadas, ou seja, retiradas por decisão judicial. Neste artigo, explicaremos o que são as medidas protetivas, como funcionam e em que situações podem ser revogadas.

O que é a Medida Protetiva?

A medida protetiva é uma ordem judicial que visa proteger vítimas de violência doméstica ou familiar. Ela pode ser solicitada por qualquer pessoa que tenha sofrido violência dentro de um contexto familiar ou de relacionamento íntimo, conforme previsto na Lei Maria da Penha. As medidas protetivas têm como objetivo principal afastar o agressor e impedir novos atos de violência, garantindo a segurança da vítima e de seus familiares.

Essas medidas podem ser concedidas rapidamente, em caráter emergencial, após o pedido da vítima à autoridade policial ou diretamente ao juiz. O prazo para a análise do pedido é curto, e a decisão pode ser tomada sem a necessidade de ouvir o agressor previamente, dependendo da gravidade da situação.

Como Funcionam as Medidas Protetivas?

As medidas protetivas podem assumir diversas formas, de acordo com as necessidades de proteção da vítima. Entre as principais medidas previstas na Lei Maria da Penha, destacam-se:

  • Afastamento do agressor do lar: O juiz pode determinar que o agressor seja retirado da residência, mesmo que ele seja o proprietário ou coabitante do imóvel, para proteger a vítima e seus filhos.
  • Proibição de aproximação e contato: Essa medida impede que o agressor se aproxime da vítima, da sua residência, local de trabalho ou outros locais frequentados por ela. Além disso, proíbe qualquer tipo de contato, seja pessoal, por telefone ou por redes sociais.
  • Suspensão de porte de armas: Caso o agressor tenha o porte de armas, ele poderá ser obrigado a entregar as armas às autoridades.
  • Proibição de visitas aos filhos menores: Quando há risco para os filhos, o juiz pode suspender o direito do agressor de visitar ou ter contato com os filhos até que a situação se estabilize.
  • Encaminhamento da vítima a programas de proteção e atendimento: O juiz pode determinar o encaminhamento da vítima para programas de apoio psicológico, assistência social ou outros serviços que ofereçam suporte à sua recuperação.

Essas medidas têm caráter temporário e podem ser revisadas pelo juiz, conforme a evolução do caso e a avaliação dos riscos à vítima.

Quando a Medida Protetiva Pode Ser Revogada?

A revogação da medida protetiva ocorre quando o juiz entende que não há mais necessidade de mantê-la, geralmente por mudança nas circunstâncias que motivaram a sua concessão. Alguns fatores que podem levar à revogação são:

  • Afastamento do risco iminente: Se o agressor demonstra, por meio de comportamento e evidências, que não oferece mais perigo à vítima, a medida protetiva pode ser revogada. Isso pode acontecer após um período de observação, terapia ou cumprimento de outras obrigações impostas pela Justiça.
  • Solicitação da própria vítima: Em alguns casos, a vítima pode solicitar a revogação da medida protetiva, alegando que não precisa mais da proteção. No entanto, essa solicitação será analisada pelo juiz, que pode ou não atender ao pedido, sempre levando em consideração o melhor interesse da vítima e a avaliação dos riscos.
  • Conciliação ou acordo entre as partes: Em casos raros, as partes podem optar pela reconciliação, o que pode resultar na revogação das medidas. No entanto, esse processo é cuidadosamente avaliado pela Justiça, que deve garantir que a vítima não está sendo coagida ou pressionada a desistir da medida.
  • Descumprimento da medida pela vítima: Em alguns casos, a própria vítima acaba descumprindo os termos da medida protetiva, como se reaproximando do agressor. Nesses casos, o juiz pode considerar a revogação, mas também pode manter a proteção, dependendo da situação.

O Processo de Revogação da Medida Protetiva

A revogação de uma medida protetiva não ocorre automaticamente, ela precisa ser solicitada ao juiz responsável pelo caso. O processo geralmente segue os seguintes passos:

  1. Petição: A parte interessada, que pode ser o agressor ou a vítima, faz o pedido de revogação ao juiz, explicando os motivos pelos quais acredita que a medida já não é necessária.
  2. Avaliação: O juiz analisa o pedido com base nos fatos apresentados e pode solicitar novos laudos psicológicos ou pareceres técnicos, especialmente em casos envolvendo crianças ou dependência emocional.
  3. Decisão: Após a análise, o juiz pode decidir pela manutenção, alteração ou revogação da medida protetiva. Em casos mais complexos, pode ser realizada uma audiência para ouvir ambas as partes antes da decisão final.

Quais os Riscos da Revogação Prematura?

Embora a revogação de uma medida protetiva possa ser necessária em algumas situações, é importante que ela seja feita com extrema cautela. A violência doméstica tem características cíclicas, o que significa que, muitas vezes, o comportamento do agressor pode parecer controlado temporariamente, mas pode voltar a ocorrer. Por isso, o judiciário adota uma postura conservadora, sempre privilegiando a proteção da vítima.

Revogar a medida protetiva de forma prematura pode expor a vítima a novos atos de violência e colocar em risco sua integridade física e emocional. É por isso que, em muitos casos, o acompanhamento por assistentes sociais, psicólogos e outras autoridades especializadas é fundamental para garantir que a decisão seja segura e benéfica para todos os envolvidos.

As medidas protetivas são uma ferramenta essencial para combater a violência doméstica e proteger aqueles que estão em situação de vulnerabilidade. A revogação dessas medidas é possível, mas deve ser feita com muito cuidado, sempre garantindo que o agressor não represente mais um risco à vítima.

Eu acolho e represento a sua dor. Afinal, você tem o poder de fala!
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